Tecnologias Livres e Empreendedorismo

Proposta de pesquisa em tecnologias livres e empreendedorismo

Estudo voltado ao estímulo de economia colaborativa baseada em tecnologias livres. Sabemos que a abertura do conhecimento é de grande interesse para as atividades científicas e educacionais. Este projeto vai buscar modelos nos quais a abertura do conhecimento apresentem também vantagens econômicas. Enquanto os modelos de negócios tradicionais são embasados na competição e na limitação de uso da propriedade intelectual, este projeto busca modelos de colaboração e abundância.

Referências e estudos de caso

  • Free Knowledge and Commons Perspectives for Industrial Production
  • The Open A.I.R. Project
    The Open African Innovation Research and Training (Open A.I.R.) Project is investing in pan-African research, networking, capacity-building and policy engagement.
    The project’s central aim is to investigate how intellectual property (IP) regimes can be harnessed in Africa to facilitate innovation through collaboration – and to make processes more participatory, knowledge more accessible, and benefits more widely shared. Interconnected, empirical case studies are exploring a range of research questions in countries across the continent.

Resumos de algumas referências

Resumo do artigo do Joshua Pearce sobre patentes de nanotecnologia

(Resumo elaborado por Béuren Bechlin)

http://www.nature.com/nature/journal/v491/n7425/full/491519a.html

Torne a pesquisa em nanotecnologia livre
As patentes somente estão atrasando as inovações na escala nanométrica, argumenta Joshua Pearce

Qualquer pessoa que deseje trabalhar ou vender produtos baseados em nanotudos de carbono terá que passar por mais de 1600 patentes americanas. Além disso, muitas patentes são amplas, dificultando e até mesmo impossibilitando o desenvolvimento da área por outros que não sejam detentores da patente.
Esse excessivo patenteamento está aumento custos e retardando o desenvolvimento. As patentes existem em outras áreas da tecnologia, mas suas consequências para a nanotecnologia são desastrosas pelo fato de ser uma área nova, com necessidade de desenvolvimento e grande potencial. Os avanços nessa tecnologia são suprimidos pois quase sempre infligem uma nova e abrangente patente.

Propriedade Intelectual

Nanotecnologia é um grande negócio. Segundo um relatório de 2011, governos em todo mundo investiram mais de 65 bilhões de dólares em nanotecnologia nos últimos 11 anos. O setor contribui com mais de 250 bilhões para a economia em 2009 e é esperado que alcance 2.4 trilhões em 2015.
Esses investimentos acabam estimulando patentes pela industria e academia. Desse modo qualquer um que descubra qualquer coisa relacionada pode patentear-la. Com universidades cada vez mais operando como corporações, seus membros são pressionados para bloquear seus resultados como propriedade intelectual, o que não faz sentido já que suas pesquisas são financiadas principalmente por contribuintes. Isso somado ao fato de que como existem essas patentes amplas novos desenvolvedores terão que perder tempo e dinheiro para adquirir todas as licenças necessárias para não sofrer ações judiciais.
A grande maioria do que foi publicado com licença de PI agora é exclusiva, ou seja, somente a pessoa ou instituição pode usar a tecnologia o qualquer outra tecnologia que depende disso. Esse sistema cria uma competição prejudicial a ciência e desenvolvimento tecnológico, pois com uma simples licença se retira todos os outros pesquisadores e desenvolvedores do mercado.Imagine o quão prejudicial seria patentes da ideia dos semicondutores e da programação básica, isso teria sem dúvida sufocada eletrônica e computação.

Alternativa open-source

A propriedade intelectual assume que o financeiramente é totalmente necessário para inovar, sem o monopólio que a patente concede esse modelo não se sustenta. Mas essa não é a única forma, o desenvolvimento livre e o open-source software a décadas nos mostra isso. Como Red Hat, ganhando mais de 1 bilhão por ano vendendo serviços que podem ser usados livremente.
Um modelo open-source para a nanotecnologia iria dar para as companhias livres para usar as melhores ferramentas, materiais e dispostivos disponíveis. Grande custos seriam cortados por não necessitar pagar licenças. Sem o escudo da propriedade intelectual e o monopólio que ela concede, inovação seria a necessidade para a sobrevivência de uma companhia. Isso também diminuiria a barreira para as pequenas desenvolvedores entrarem no mercado.
Algumas críticas podem surgir na ideia que o hardware e materiais que as companhias de nanotecnologia baseiam seus produtos são fundamentalmente diferentes do software, onde o modelo open-source está mais difundido. Isso poderia significar uma dificuldade para atrair o capital necessário, mas esse argumento esbarra nas empresas de hardware open-source que surgiram recentemente como: Adafruit, Beagle Board, Chumby, Liquidware, Seeed Studio and SparkFun Electronic. Ainda existem outras empresas como Arduino, MakerShed e Solarbotics que tem uma faturamento de milhões de dólares ao ano provendo e dando suporte para hardware open-source em outras áreas tecnológicas. O microcontrolador arduino, por exemplo, foi adotado por milhares de projetos incluindo impressoras 3d entre outros.

Resumo Defensive Patent Licence

(Resumo elaborado por Béuren Bechlin)

http://defensivepatentlicense.com/content/frequently-asked-questions

Defensive Patent Licence

Licença de patente defensiva ("DPL") é um novo mecanismo desenvolvido para proteger inovadores. Um escudo legal comprometido com a defesa da inovação e redução das licenças abusivas.
O sistema atual de patentes está virando uma grande ameaça para inovadores. Patentes amplas muitas vezes de qualidade suspeita estão sendo usadas para eliminar a competição e prevenir a entrada de outros para o mercado. Além disso existem os troll de patentes, as pessoas ou instituições que adquirem patentes sem a finalidade de desenvolvimento. Esses troll de patentes compram essas patentes amplas e usam para ameaçar qualquer um desde de grandes companhias, start-ups e até mesmo organizações não governamentais.
Quem optar para entrar na rede DPL compromete-se a renunciar qualquer processo de patente contra qualquer outro usuário de DPL, exceto quando estiver reivindicando patentes defensivas. Em retorno, estará apto a receber licenças livres de Royalties de qualquer outro usuário da rede. Todos que pegarem uma licença devem comprometer colocar todas as suas patentes como DPL.
Licença de patente defensiva foi desenvolvido para que seu usuário ganhe liberdade ao inovar, com uma ampla e forte rede de patentes defensivas a sua disposição.A DPL também tem intúito de dar um limite e essas ações judiciais desses troll de patentes.

Open source como uma organização social de produção e como forma de inovação tecnológica baseada em um novo conceito de direitos autorais

Apresentação por Manuel Castells no No Fórum Social Mundial

Fonte: http://www.choike.org/nuevo_eng/informes/2623.html
(Resumo elaborado por Marina de Freitas)

Open source se refere a uma forma de organização social nascida no desenvolvimento de softwares para computadores e preocupada com o livre acesso aos códigos fontes de softwares. A economia capitalista impõem a ideia de propriedade como o direito de excluir os outros do uso de um bem ou serviço. Para o Open source, o conceito de propriedade é definido em torno do direito de distribuição.
O contexto de desenvolvimento do Open source como um fenômino social, político e econômico se deve à pelo menos 4 importantes aspectos:

  1. A internet, que possibilita uma rápida e eficiente interação entre os colaboradores.
  2. Suas raízes num novo tipo de produção que expresa uma nova maneira de relacionar comunidade, cultura e atividade comercial.
  3. Sua distinta noção de propriedade, que não permite que o direito a uso de nenhum indivíduo restrinja o direito a uso de outros, por qualquer razão que seja.
  4. O Open Source , sendo um fenômeno social, pode ser aplicado na produção e distribuição de conhecimento de váriárias áreas.

A História do Open Source começa quando, a ATT e a Bell Labs foram separadas e inciaram um processo de restringir o uso do BSD e comercializar a UNIX por preço extremamente altos. Em reação a isto, um grupo de programadores do Laboratório de Inteligência Artificial , liderados por Richard Stallman, criaram, em 1984, a Free Software Foundation (Fundação do Software Livre) com o objetivo de construir um sistema operacional, batizado de GNU, que pudesse ser distribuído gratuitamente. Stallman publicou o Manifesto GNU definindo “livre” da seguinte forma: a) Liberdade para rodar o programa para qualquer propósito, b) Liberdade para estudar e modificar o programa conforme as necessidades, c) Liberdade para redistribuir cópias, pagas ou não, d) Liberdade para alterar o programa e redistribui-lo ao público de forma que todos possam fazer o mesmo. Além disso, Stallman criou uma ferramenta institucional/legal para fortalecer esta liberdade: a General Public License (GPL), Licensa Pública Geral. Softwares sob a GPL não podem ser patenteado e sua combinação com softwares patenteados deve ser lançada sob GPL.

Após uma aparente decadência, a ideia do movimento volta a tomar força com a expansão da internet e o surgimento do Linux. Desde de seu início, o Linux se desenvolveu através da cooperação e dos debates abertos na internet que, por mais que fossem profundos e desgastantes debates técnicos, nunca se inclinaram muito para disputas ideológicas. Além disso, tendo nascido livre, nunca teve que lidar com processos litigiosos. Por isso, o Linux cresceu rapidamente para uma rede de milhares de contribuidores, com um núcleo de algumas centenas de programadores e uma estimativa de 21 milhões de usuários no ano de 2002, além de ser aceito por grandes corporações, governos e instituições.

De forma similar a Apache, um programa de servidor de web, nascido em 1995, lançou seu código fonte sob a licença BSD. Diferentemente da GPL, a BSD exige que apenas os códigos fonte das partes do código que eram originalmente abertos. Ou seja, não impede a colaboração com softwares patenteados, nem sua abertura, apenas exige que as partes originalmente abertas continuem abertas.

Como o Open Source funciona

Os quatros mais contrastantes desafios do Open source, se comparado com a forma comum de produção capitalista, são: Qual a motivação individual dos colaboradores?, Qual a lógica econômica que se diferencia da lógica convencional de mercado?, Como coordenar centenas de colaboradores sem uma hierarquia central nem uma divisão de trabalho?, Como gerenciar o desenvolvimento de processos complexos?

Segundo algumas pesquisas realizadas com os colaboradores, foi possível dividi-los, segundo suas motivações, em 4 grupos: os crentes (⅓), os profissionais (⅕), os que procuram diversão (¼) e os que procuram aprimorar suas habilidades (⅕).
Sobre a lógica econômica, ela deixa de ser baseada na competitividade para criar valor a partir do trabalho de redes de cooperação. A hierarquia destes grupos é formada majoritariamente de forma espontânea, baseada no reconhecimento técnico de seus companheiros, mas com alguns formatos impostos, como uma informal centralização num homem só na Linux e a centralização num grupo eleito na Apache, por exemplo. Mesmo espontânea e meritocrática, para manter a rede colaborativa e crescendo é necessário um bom líder. Para gerenciar o complexo processo de produção de um software, os subgrupos de colaboradores tem como missão resolver problemas, não seguir soluções propostas por um superior.

A difusão da Open Source está enraizada no desenvolvimento das necessidades de países e organizações no mundo todo. As aplicações do conhecimento livre em softwares e computação podem ter impactantes efeitos na educação e saúde em países em desenvolvimento. Sendo assim, a discussão ideológica e comercial sobre Open Source é uma questão de relevante importância no desenvolvimento na atualidade.

Modelos de Negócios para Hardware com Código Aberto (Open Source Hardware - OSH)

Fonte: http://p2pfoundation.net/Open_Source_Hardware_Business_Models#Making_Money_with_Open_Source_Hardware

(Resumo elaborado por Marina de Freitas)

Desde 2007, o número de novas empresas (startups) de hardware aberto vem crescendo rapidamente. Eletrônicos com fins educacionais e de entretenimento são de longe os que dominam o mercado, inspirados principalmente pelo sucesso do Arduino ou do Rasperry Pi. O segundo lugar vai para a fabricação de ferramentas (15%), com destaque para as impresoras 3D (11%). O restante do mercado é fragmentado entre as paixões desses empreendedores: drones (3%), lights (3%), sintetizadores (2%), kits de contrução. . .
Segundo dados de 2013, 68% das novas empresas de Hardware Aberto tem sua sede no EUA, 19% na Europa e 7% na Ásia. A maioria das empresas de Hardware Aberto são totalmente online, afinal colaboração, distribuição e comunicação não necessitam de uma sede. Sobre os emprendedores, maioria dos fundadores tem alguma formação em engenharia (83%). Maioria deles têm um trabalho fixo e trabalham em suas empresas no tempo livre. Na segunda posição estão os designers (17%). Professores e pesquisadores, maioria da área da cinência e engenharia, seguem em terceiro lugar (14%). Interessantemente, 47% das empresas são lideradas por somente um emprendedor, enquanto 52% são constituidas por uma equipe. Apenas 5% foram lançadas por mulheres e um total de 10% possui mulheres na sua equipe. 62% foram financiadas pelo próprio fundador e 28% foram totalmente, ou parcialmente, fundadas por crowdfounding.
Clive Thompson identifica dois principais modelos econômicos para OSH baseados na oferta de mercado. O primeiro consiste em vender a perícia como inventor. A segunda consiste em vender dispositivos OSH, mantendo-se sempre a frente dos competidores. Os modelos de negócios para Hardware Aberto também podem ser separado em: distribuição de projetos, suporte técnico de projetos, implementação de projetos e liberador (releasing).

Uma vantagem do OSH é que apesar de um projeto de hardware ser livre e gratis, a produção deste hardware pode ser trabalhosa e cara, o que mantém o usuário dependente dos serviços prestados por empresas de manufatura e suporte técnico.Além disso, muitas empresas tiram vantagem do processo colaborativo do OSH ao participarem de projetos de hardwares que são exigidos para todos os concorrentes mas que não os diferencia entre si.

Os custos para projetar, verificar e testar hardwares são elevados e nem todos os equipamentos de teste e verificação são compatíveis com OSH, criando problemas legais de interface. Um bom nicho para investir é na solução deste problema, desenvolvendo estes equipamentos em OSH.
Outra dificuldade é que para um projeto copyleft sob uma licença do tipo GPL, “qualquer pessoa pode, legalmente, desenhar o mesmo circuito de uma maneira diferente, ou escrever uma definição de HDL diferente que gere o mesmo circuito”, mas como os custos de produção, verificação e teste são altos, os benefícios da copyleft são, para OSH, limitados.
A maior de todas as dificuldade é a falta de credibilidade, que só poderá ser resolvida com o tempo. É dever da comunidade OSH convencer os usuários de que os modelos OSH funcionam bem e que projetos de alta qualidade podem ser alcançados.

Analisando o tipo de oferta do mercado, os direitos de propriedade do projeto do OSH, os tipos de tranformação de ativos do OSH e sua importância para o mercado, foram encontradas 8 maneiras diferentes de se fazer dinheiro com OSH:
- Consultoria e personalização de projetos de OSH da própria companhia;
- Consultoria e personalização de projetos de OSH de terceiros;
- Venda de hardwares patenteados baseados em OSH da própria companhia;
- Venda de hardwares patenteados baseados em OSH de terceiros;
- Fabricação de OSH;
- Ferramentas de Softwares para OSH;
- Ferramentas de Hardware para OSH;
- Dupla-licença, permitindo que o cliente escolha abrir ou não os códigos das versões modificadas.

Empresas

fooeastignite2010.pdf - Limor Fried and Phillip Torrone of Adafruit presented Million dollar baby. https://www.sparkfun.com/news/358 (5.9 MB) Marina de Freitas, 09/01/2016 21:40