Entendendo mais sobre Tecnologias Livres

Fontes:
http://freedomdefined.org/Definition/Pt
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_open_source_hardware_projects
http://www.ohanda.org/
http://www.oshwa.org/
http://aplicativos.sebrae-rs.com.br/rodadasdenegocios/rodadas_evento_aberto.asp?idEvento=221
http://freedomdefined.org/OSHW

A Emergência das Tecnologias Livres

É bem provável que as primeiras técnicas desenvolvidas pelo ser humano foram livres para uso, estudo, modificação e distribuição dentro do círculo social dos indivíduos que tinham acesso a ela. Se tal liberdade não existira, elas não teriam sequer surgido e se propagado. É plausível que pelo uso do fogo, da roda, machadinhas, as primeiras habitações gozavam destas propriedades. Estas usufruíam de quatro propriedades naturais do conhecimento: uso, estudo, modificação e distribuição, sendo tais naturais do intelecto humano e da respectiva habilidade de comunicação.

Durante os último séculos, e com maior intensidade nas últimas décadas, avanços tecnológicos costumavam ser diretamente associados à propriedade intelectual: o registro de patentes para garantir o aproveitamento econômico das invenções através de um monopólio temporário. Em meio disto, o conhecimento que era tornado público, que gozava das quatro propriedades fundamentais (uso, estudo, modificação e distribuição), era desprezado pela falta de modelos de mercado que pudessem adotar este tipo de conhecimento para aumentar a atividade econômica. Existia uma crença, que ainda é dominante, de que o conhecimento e seu uso deve ser limitado para que a sociedade possa realmente usufruir de avanços tecnológicos.

Uma consequência direta disto foi a geração de um desequilibro. O não reconhecimento da importância do conhecimento público que possa ser usado, estudado, modificado e distribuído, deixou a sociedade em um vácuo intelectual. As pessoas deixaram de poder usar a criatividade para resolver seus problemas e suprir suas necessidades: alimentos, moradia, comunicação, transportes, entretenimento, ciência e educação. Tudo que chegasse até as pessoas passou a ser fortemente obscurecido por monopólios, segredos industriais e/ou acordos comerciais.

As limitações do uso do conhecimento foram aumentando gradualmente, tornando cada vez mais presente no dia-a-dia das pessoas. Entretanto, felizmente não somos como o sapo na famosa fábula que afirma que o anfíbio não reage ao gradual aumento de temperatura (mudanças de ambiente) e morre quando a água ferve. Inchado e feliz.

Como alternativa a este cenário, as tecnologias livres vem ganhando espaço significativo em diversos setores da sociedade. O renascimento destas tecnologias remonta aos anos 80, quando um grupo de programadores se recusou a não compartilhar o código fonte de seus programas de computador para uso, estudo, modificação e distribuição por outros. Agora as tecnologias livres estão emergindo para um novo patamar de importância com o surgimento e disseminação do hardware livre. O ponto chave para explicar tamanha emergência está justamente no preenchimento no vazio intelectual deixado pela dominância do conhecimento proprietário que domina quase todos os aspetos da vida contemporânea. A definição de liberdade aplicada à obras culturais (http://freedomdefined.org/Definition/Pt) permite a todos acessar, criar, modificar, publicar e distribuir todo tipo de trabalhos - obras de arte, materiais científicos e educacionais, software, artigos - resumindo: qualquer obra cultural que possa ser codificada e significada cujo autor expressou o desejo de compartilhamento através da adoção de uma licença permissiva. Mais do que isto, esta prática resulta em algo muito maior do que o mero consumo da cultura, permitindo que o indivíduo se torne um agente cultural, permitindo, assim, o uso não somente para o aprimoramento de conhecimento mas também permite a evolução do conteúdo estudado dando a possibilidade de reestruturação do mesmo.

O crescente número de projetos open hardware quantifica o interesse nas recentes tecnologias livres. Todo o tipo de sistema digital, como computadores, videogames, sistemas de audio, vídeo, materiais didáticos, e avanços em energia renovável são apenas alguns dos espaços onde as tecnologias livres vem ganhando notoriedade (confira mais exemplos em http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_open_source_hardware_projects).
Um exemplo marcante é o Ouya, um console de vídeo game open source que arrecadou mais de 7 milhões de dólares em seu projeto de crowdfunding (iniciativa de financiamento colaborativa). O projeto promete a entrega de 40.000 consoles de sua campanha. Independente do sucesso ou não do deste projeto, o interesse pelas tecnologias abertas aqui é evidente.

Acompanhando esta tendência, observamos o surgimento de associações de hardware livre pelo mundo. Criada no Canadá em 2009, a Open Source Hardware and Design Alliance é uma aliança que tem como objetivo a exposição de produtos criados com tecnologias livres para compra, venda e até um possível troca de ideias sobre a criação dos mesmo contando com um crescente número de colaboradores. Temos ainda a Associação de Hardware Open Source, também criada recentemente só que, dessa vez, nos EUA. Esta também apresenta projetos -- máquinas, dispositivos ou outros objetos físicos --  criados com tecnologia open source disponíveis para o público de modo que qualquer um possa construir, modificar, distribuir e utilizar estes artefatos. É intenção desta definição auxiliar no desenvolvimento de guias gerais para o desenvolvimento e validação de licenças para Open Source Hardware.

Este interesse não é visto apenas em países estrangeiros. Este interesse já chegou no Brasil, tendo inclusive o SEBRAE oferecendo uma rodada de negócios em tecnologias livres durante o 13o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre. Este teve como objetivo oportunizar o contato entre empresas interessadas em vender/comprar produtos prontos produzidos com tecnologias livres, além de desenvolver parcerias comerciais importantes que permitam a expansão e consolidação de negócios que ofereçam suas competências no desenvolvimento de softwares que utilizem tecnologias livres, gerando, assim, oportunidades para novos produtos, negócios ou parcerias. 

A tecnologia livre é um tópico notoriamente emergente do entretenimento ao mundo nos negócios. Acabe agora a academia fazer uso das tecnologias que gozam das propriedades naturais do conhecimento. A ciência e a educação, antes do que qualquer outro setor, tem muito a ganhar com a utilização de tecnologias livres pois, sem estas, vivem um grande conflito por estar lidando com conhecimento cujas propriedades naturais foram amordaçadas. É com o objetivo de trazer as tecnologias livres para a ciência e para a educação e levar as tecnologias científicas para a sociedade que Centro de Tecnologia Acadêmica está surgindo.

A lógica é simples: temos as liberdades culturais definidas que, quando aplicadas à tecnologia, resultam na definição simples de hardware aberto: artefatos tangíveis -- máquinas, dispositivos ou outros objetos físicos -- cujo design foi disponibilizado ao público de modo que qualquer um pode usar, construir, modificar, distribuir estes artefatos. É intenção desta definição é auxiliar no desenvolvimento de guias gerais para o desenvolvimento e validação de licenças para Open Source Hardware. 

Entretanto, mais do que a validação de licenças para Open Source Hardware, hoje faz-se necessária a adoção de uma metodologia de trabalho que consista de boas práticas para o desenvolvimento das tecnologias abertas, do conhecimento livre, usando ferramentas abertas e padrões de dados abertos. Este também se torna um dos objetivos do CTA, participar do desenvolvimento de uma cultura de compartilhamento e continuidade do conhecimento. 
Este pensamento pode ser conferido na Ata de Fundação CTA, além nos projetos desenvolvidos no site.
Os projetos do CTA buscam abordar problemas de interesse público, levando soluções tecnológicas abertas a sociedade compreender melhor o mundo em que vivem.